Os muito jovens, na política, imaginam-se invencíveis e invulneráveis. Anseiam pela batalha, buscando certezas revolucionárias. Acreditando na nobreza de seus princípios filosóficos. Só na idade da razão percebem que o outro existe e que merece respeito. A personalidade adulta acaba entendendo que por melhor que seja um ideal, ele não vale o peso de milhões de mortes. É sinal de maturidade descobrir que as verdades são muitas e que a verdade de uma pessoa ou credo não é melhor ou pior do que as convicções dos outros homens.
Os muito velhos, na política, tendem a se assemelhar aos muito jovens. Por que é assim? Em primeiro lugar, porque quem não tem mais saúde, prazer sexual pleno, quem não mais sente todos os prazeres da vida sensorial, provavelmente dá menos valor à vida. Espera-se que os velhos alcancem a sabedoria, mas alguns tendem a substituir os antigos prazeres pela delirante sensação de exercer o poder. É também evidente que muitos homens idosos colocam o sentimento de dever para com a pátria acima do doce dom da generosidade.
Espera-se que os homens, na velhice, tornem-se mais doces, contemplativos, carinhosos. Mas muitos velhos que se mantém na carreira política são competitivos, ansiosos por glórias e querem substituir o decréscimo do vigor físico pelo machismo guerreiro.